domingo, 29 de agosto de 2010

CIA RODAMOINHO

A Cia Rodamoinho está feliz da vida!

Afinal, está colhendo os frutos de um trabalho dedicado à criança onde a pesquisa e a dedicação sempre foram fundamentais!

Pra quem não sabe, o Fabiano Assis e a Renata Flaiban fundaram a Cia Rodamoinho há alguns anos, e desde então se transformaram em excelentes contadores de histórias, e seus espetáculos tem garantia de qualidade!

Há pouco tempo, fizeram uma incursão por terras européias para estudo da arte do palhaço e apresentações nas ruas – ai, que delícia!

Agora que voltaram, estão a todo vapor com o espetáculo AS AVENTURAS DE PEPINO: receberam três indicações ao Prêmio Femsa e recentemente, no Festival de Teatro de Presidente Prudente, o crítico Kil Abreu teceu elogios (merecidos). Quer conferir? Então leia a crítica do espetáculo, que com certeza precisa ser divulgada aos quatro ventos!

A Rodamoinho, Companhia de Fabiano Assis e Renata Flaiban, se apresenta com uma folha de muitos serviços já prestados ao teatro, apesar do tempo curto de vida. Espetáculos para crianças e adultos, intervenções de rua, performances, projetos de arte-educação. Esta atividade regular e em frentes múltiplas não diz tudo, claro, mas ajuda a compreender o traquejo e a sintonia da dupla em As aventuras de Pepino.

Em geral são os grupos em trabalho continuado que têm conseguido a afinação segura vista no espetáculo. É que o chamado teatro “de produção”, movido mais à base dos cronogramas e a partir de um princípio que é o da de rentabilidade, tende a diminuir o tempo dedicado à pesquisa artística. Isto tem conseqüências nos resultados que, neste caso, tendem a se apegar às fórmulas já testadas e a efeitos conhecidos.

No espetáculo da Rodamoinho é algo diferente o que acontece. Na história deste Menino maluquinho dos pobres (que precisa trabalhar para ajudar a mãe) chama a atenção o cuidado sempre especial com que são tratados os elementos que compõem a cena: dos diálogos aos adereços, dos arranjos musicais ao modo inusitado como são usados os instrumentos. Tudo é motivo de interesse e estimula o olhar curioso, a atitude empenhada em explorar aquelas novidades que, enfim, nos unem, crianças e adultos, em uma mesmo momento construtivo de prazer e criatividade.

O projeto da encenação é simples e lúdico. Não quer mimetizar situações e, ao contrário, desde o início oferece à platéia, sem fazer segredos, as chaves do teatralismo que vão tornar críveis uma passagem do dia para a noite e de novo para o dia em um canto do galo, em um aparecer repentino da lua, em um piscar de olhos. Objetos que são uma coisa e depois outra, atores que brincam com a representação do masculino/feminino, tudo contribui para a aceitação desta vida sempre reinventada a partir de uma lógica própria. É quando de repente descobrimos que aquele garoto aparentemente todo “errado” não está tão errado assim. O mundo, afinal , é também meio torto e pode ser uma coisa e outra a um só tempo. E, melhor, sem culpa, porque entre outras coisas boas o espetáculo tem esta idéia subliminar: a de desculpabilizar o erro e até mesmo ver valor nele.

Todas estas intenções não seriam possíveis não fosse a condução tranqüila, mas cativante, de Renata Flaiban e Fabiano Assis. Com o domínio de muitos recursos à disposição a dupla sabe usá-los em medidas certas para a sedução do seu público. Sem o artificialismo da animação, conquistam meninas e meninos em um passo após outro, entre uma entrada cômica e uma canção italiana. A música, por sinal, tem lugar fundamental na articulação do espetáculo: pontua as cenas, faz o papel da sonoplastia e, usando um cancioneiro cheio de sonoridades curiosas, é responsável pela amarração firme mas sem sobressaltos que o espetáculo oferece. As crianças...e os adultos agradecem.


KIL ABREU

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